Sua equipe não entrega ou você não sabe pedir? O dilema da Comunicação Não-Violenta para Gestores
Projetos atrasados. Equipes desengajadas. Metas perdidas. Quantas vezes o problema não está na capacidade técnica do seu time, mas na incapacidade de nos comunicarmos com clareza brutal e empatia estratégica? Eu vejo isso acontecer repetidamente. A falha na Comunicação Não-Violenta Gestores tem um custo. Ele se manifesta em *rework*, *churn* elevado e, sim, na erosão do ROI.
Não nos iludamos. Gerenciar não é apenas delegar. É orquestrar. É mediar. É, acima de tudo, comunicar. Mas não de qualquer forma. Estamos falando de uma comunicação que desarticula o conflito antes que ele se instale e que alinha expectativas de forma inequívoca.
Feedback que Dói ou Constrói? A Arte do Olhar Empático
Dar feedback é um campo minado para muitos gestores. O impulso é julgar, apontar o dedo. Mas isso só gera defensiva. Um feedback eficaz observa, não acusa. Ele descreve comportamentos específicos, não atribui intenções.
Nós precisamos entender que o foco deve ser no impacto, não na pessoa. É sobre o que foi feito ou deixado de fazer, e como isso afetou o objetivo. Simples assim. O empirismo do Scrum nos ensina a inspecionar e adaptar, mas isso só funciona com dados, não com suposições.
Cenário de Trincheira: A Avaliação Superficial
Um Scrum Master se queixa ao gestor de um desenvolvedor com “baixo desempenho” na Sprint. Em vez de investigar, o gestor chama o dev e o repreende por não “entregar o prometido”. Ninguém questionou se o *Product Backlog Item* estava com dependências externas não resolvidas, ou se a estimativa original era irrealista devido a uma complexidade técnica subestimada. O resultado? O *throughput* da equipe despenca, o moral é abalado, e o problema real – talvez um gargalo no processo de *deployment* – permanece intocado.
Pedidos Claros e o Fim do Achismo em Projetos Ágeis
Quantas vezes “pedimos” algo sem de fato fazer um pedido concreto? “Seria bom ter um relatório mais visual.” “Talvez pudéssemos melhorar a UX.” Estes não são pedidos. São vagos desejos que condenam o time à tentativa e erro. E o que é tentativa e erro no mundo ágil? *Waste* puro.
Um pedido, para ser não-violento e eficaz, precisa ser específico, factível e positivo. O que você quer que o outro faça? Qual o resultado esperado? E qual o critério de sucesso? Isso é a base para qualquer OKR bem-sucedido.
Cenário de Trincheira: A Funcionalidade “Melhor”
Um Product Manager solicita ao time de desenvolvimento uma “melhora significativa” na funcionalidade de *checkout* do e-commerce. Não há métricas claras, nenhum *benchmark* de performance, nem um objetivo de negócio explícito além de “melhorar”. O time passa semanas otimizando a interface, mas os indicadores de conversão não se movem. Por quê? Porque o problema real era a lentidão no carregamento da página, não o layout. O que era um desejo virou um projeto sem *outcome*.
Gerenciando Conflitos sem Incendiar a Equipe: O Papel do PO Ninja
Conflitos são inevitáveis. A questão é como os abordamos. Um gestor que impõe sua vontade sem buscar a compreensão das necessidades subjacentes está apenas adiando a próxima explosão. O PO Ninja, aquele que domina o refinamento técnico e a gestão de *stakeholders*, sabe que a mediação é a chave.
É preciso coragem. Coragem para ouvir, para não tomar partido, para desvendar as necessidades não ditas. Essa é a essência do Respeito e da Abertura que pregamos no Scrum.
Cenário de Trincheira: A Guerra por Prioridade
Dois diretores, um de Marketing e outro de Vendas, entram em conflito aberto sobre qual *feature* deve ser priorizada no próximo trimestre. O diretor de Marketing quer uma nova funcionalidade de segmentação para campanhas de *upselling*, enquanto o de Vendas insiste em melhorias no CRM para otimizar o *pipeline*. O gestor, pressionado, decide por um lado, gerando ressentimento e desengajamento do outro. Ninguém explorou a necessidade real por trás de cada pedido: um queria aumentar o LTV, o outro, reduzir o *sales cycle*. Ambas necessidades poderiam ter sido atendidas com uma solução mais inteligente.
A Perplexidade da Necessidade Por Trás da Demanda
Este é o ponto crucial. A Comunicação Não-Violenta nos força a ir além da superfície. Uma demanda é apenas a ponta do iceberg. Abaixo dela, reside uma necessidade humana fundamental. E é aí que o valor real está.
Quando um cliente exige “mais funcionalidades”, ele pode estar expressando uma necessidade de segurança, de praticidade, de pertencimento. Nossa tarefa, como gestores, é decifrar essa necessidade e traduzi-la em soluções que realmente gerem impacto, não apenas em entregas vazias.
Cenário de Trincheira: A Cobrança por Velocidade
Um CEO cobra incessantemente a equipe de engenharia por “mais velocidade” na entrega de novos produtos. A equipe, exausta, aumenta o ritmo, acumula *technical debt* e o *burnout* explode. O gestor, em vez de investigar a necessidade por trás da cobrança – talvez o medo de perder mercado para um concorrente ágil ou a pressão de investidores por inovação – apenas repassa a pressão. O que era uma necessidade de segurança no mercado virou uma espiral de exaustão e baixa qualidade.
Seus projetos falham por falta de comunicação ou por falta de coragem de comunicar? É hora de parar de focar nas tarefas e começar a focar nos *outcomes* da sua comunicação. A transformação começa na sua voz. E na sua escuta.
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