Seus recursos falham? Talvez você não saiba quem seu cliente realmente é.
Quantos recursos lançamos que, no fim das contas, viram um peso morto no backlog de manutenção? A verdade é que muitos Product Owners ainda operam no modo ‘fábrica de software’, tirando pedidos e empurrando funcionalidades para o mercado sem uma validação prévia. Este é o amadorismo que drena ROI e corrói a confiança do investidor.
Nós, na linha de frente da gestão de produtos, sabemos que o desafio não é desenvolver, mas sim desenvolver o certo. E para isso, o Desk Research não é um luxo; é a primeira trincheira contra o desperdício. É a bússola que aponta para resultados, não para tarefas aleatórias. Mas, você realmente sabe o que ele significa?
Por que o Desk Research não é “achar no Google” e sim uma análise de mercado robusta
A superficialidade é o inimigo. Muitos confundem Desk Research com uma busca rápida por tendências no Google. Grande erro. Estamos falando de uma análise de mercado estruturada, quase forense, que mergulha em dados secundários para extrair insights profundos. Relatórios setoriais, publicações acadêmicas, dados governamentais, estudos de concorrentes, reviews de usuários em plataformas públicas – a fonte é vasta e o ouro está lá para quem souber garimpar.
Qual o custo de uma feature que ninguém usa? Altíssimo. O empirismo do Scrum exige Transparência e Inspeção contínua. Sem dados externos, sua visão de produto é míope, baseada apenas no espelho interno. Como adaptar se você não entende o ecossistema?
Cenário de Trincheira: O Backlog do Achismo
Um PO, pressionado a entregar a “próxima grande coisa”, justifica uma nova funcionalidade de gamificação citando um artigo genérico da Forbes e dados de engajamento interno. Ele ignora relatórios da Statista sobre a saturação do mercado de gamificação em seu nicho e dados de Churn de concorrentes que implementaram features similares sem sucesso. O resultado? Sem uma validação de features externa, a feature é lançada, consome recursos e o engajamento não move o ponteiro. O ROI despenca, e o LTV dos clientes não melhora. O projeto parou. O motivo foi o ego.
Transformando dados brutos em inteligência competitiva acionável para o roadmap
Coletar dados é apenas o primeiro passo. O valor real reside em transformá-los em inteligência competitiva. Isso significa correlacionar, sintetizar e, acima de tudo, contextualizar. O que esses dados dizem sobre o problema que estamos tentando resolver? Eles validam nossa hipótese ou a desmentem? É aqui que a mentalidade de OKRs mostra sua força: o foco não é a entrega, mas o outcome.
Nós usamos frameworks de análise como a Matriz de Crescimento-Compartilhamento do BCG ou as 5 Forças de Porter para dar forma a essa massa de informação. Isso permite uma estratégia de produto que não é reativa, mas proativa. É a base para uma decisão baseada em dados, não em intuição.
Cenário de Trincheira: O Paralelo de Dados Inertes
Uma equipe de produto passa semanas coletando dados sobre o mercado de SaaS de nicho: tamanho, CAGR, principais players, tecnologias emergentes. Contudo, o material é apenas compilado em um repositório no Confluence, sem ser analisado criticamente em relação aos Objetivos e Key Results atuais da empresa. Não há uma sessão de Adaptação estruturada. O Product Backlog permanece inalterado, e as sprints continuam a empurrar itens que não foram informados por essa rica base de conhecimento. É um elefante branco de dados, sem propósito.
O PO Ninja e a arte de dizer “não” com dados
O Product Owner não é um tirador de pedidos. Ele é um estrategista, um guardião do valor. O Desk Research equipa o PO Ninja com a Coragem e o Foco necessários para refinar o backlog, priorizar com convicção e, crucialmente, dizer “não” a stakeholders influentes com argumentos sólidos. É a base para uma gestão de stakeholders eficaz e para a construção de um roadmap robusto.
Como alinhar a visão de produto com as demandas do mercado sem essa base? Impossível. É como tentar construir um arranha-céu sem conhecer a geologia do terreno. O PO que domina o Desk Research não apenas entende o mercado; ele o molda, porque suas decisões são informadas, e não meras apostas. Ele se torna o farol da Transparência, garantindo que todos entendam o porquê das prioridades.
Ignorar o Desk Research não é apenas uma falha tática; é um erro estratégico que condena seu produto à irrelevância. Sua equipe está fadada a construir o que acha que o mercado quer, ao invés do que ele realmente precisa. E em um cenário de alta competitividade, isso é um luxo que nenhum roadmap pode se dar. Ainda acha que pode continuar operando no escuro?
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