PMBOK 7ª Edição: Por que princípios valem mais que processos na gestão de projetos
Quantas vezes você já viu um projeto naufragar não por falta de um plano, mas por excesso de burocracia? A verdade é que muitos gestores ainda se apegam a rituais pré-definidos, ignorando o pulso real do negócio. A PMBOK 7ª Edição não é uma mera atualização; é um grito de guerra contra essa mentalidade. Ela marca a virada definitiva de uma gestão focada em ‘como fazer’ para ‘por que estamos fazendo’.
Nós, que vivemos a trincheira da gestão de produtos e projetos, sabemos que o valor não está na documentação impecável, mas no resultado entregue. O mercado não espera um relatório de status, ele exige ROI, LTV e um produto que resolva uma dor real. E é aqui que a ênfase nos princípios, em detrimento da rigidez dos processos, se torna um diferencial competitivo brutal.
O dilema real: aderir ao dogma ou entregar valor?
A obsessão por processos, muitas vezes, nos cega para o objetivo maior. Não é sobre seguir o plano à risca, mas sobre adaptabilidade em projetos. A PMBOK 7ª Edição nos convida a repensar nossa abordagem. Não se trata de abandonar o planejamento, mas de contextualizá-lo, entendendo que cada projeto é um organismo vivo, não uma linha de montagem.
Cenário de Trincheira: O culto ao Gantt obsoleto
Lembro-me de um diretor de projetos que, diante de um desvio crítico de escopo – uma mudança estratégica da concorrência que inviabilizava o MVP proposto – insistiu em seguir o cronograma original. Sua justificativa? “O Gantt está aprovado, não podemos mudar agora.” O resultado? Meses de trabalho em algo que já nasceria morto. O princípio de ‘valor’ foi sacrificado no altar do ‘processo de aprovação’.
Princípios à frente: a bússola da gestão ágil
Os 12 Princípios do Gerenciamento de Projetos, introduzidos na PMBOK 7ª Edição, são a espinha dorsal de uma abordagem verdadeiramente adaptativa. Eles espelham o empirismo do Scrum: Transparência, Inspeção, Adaptação. Não são regras, mas guias para a tomada de decisão em cenários complexos e ambíguos.
- Gerenciamento Proativo: Foco constante em criar valor, não apenas em cumprir tarefas.
- Liderança Servidora: Capacitar o time, remover impedimentos, fomentar a coragem para inovar.
- Engajamento de Stakeholders: Não é sobre agradar a todos, mas gerenciar expectativas e construir confiança. Dizer ‘não’ é, muitas vezes, a decisão mais estratégica.
- Adaptabilidade e Resiliência: A capacidade de pivotar rapidamente quando o contexto muda.
É essa mentalidade que sustenta uma gestão de projetos ágil de verdade, não aquela que apenas simula agilidade com rituais vazios. Nossos OKRs devem refletir esses princípios, focando em resultados mensuráveis, e não em entregas de funcionalidades sem propósito claro.
Processos: ferramentas, não algemas
Não se engane: a PMBOK 7ª Edição não descarta processos. Pelo contrário, ela os reposiciona. Os processos são ferramentas valiosas dentro dos Domínios de Desempenho, servindo como meio para atingir os princípios. Eles fornecem estrutura, mas nunca devem ditar a estratégia.
Cenário de Trincheira: O backlog interminável e o PO tirador de pedidos
Conheço um PO que se orgulhava de ter um backlog com mais de 200 itens, todos detalhados. O problema? Apenas 5% deles gerariam algum valor de negócio. Ele era um mestre em seguir o processo de refinamento, mas falhava miseravelmente no princípio de ‘foco no valor’. Seus sprints eram lotados, mas o churn do produto continuava alto. A figura do PO Ninja, que domina o refinamento técnico e a gestão de stakeholders, não é um tirador de pedidos; é um estrategista que alavanca o backlog para resultados, não para o volume.
A transformação digital exige princípios, não apenas procedimentos
Em um cenário de transformação digital acelerada, a aderência cega a um conjunto de procedimentos é receita para a irrelevância. O que diferencia as empresas que prosperam daquelas que estagnam é a capacidade de aplicar princípios robustos para navegar na incerteza. Isso significa ter a coragem de inspecionar, a transparência para admitir erros e a adaptabilidade para mudar o curso, mesmo que isso signifique redefinir o que antes parecia inegociável.
A gestão de projetos não é um checklist. É uma disciplina viva, que exige discernimento, coragem e um foco inabalável no valor. Se você ainda está preso à ideia de que um documento de 50 páginas garante o sucesso, talvez seja hora de questionar seus próprios princípios. O mercado não espera por quem segue o livro; ele recompensa quem entrega resultados. E você, está pronto para essa mudança de chave?
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