A Ilusão da Manutenção Pura: O Custo Oculto da Inércia
A gestão de produtos legados é um calcanhar de Aquiles para muitos líderes. Em nossos projetos na Revista Deploy, percebemos que a tentação de manter sistemas “funcionando” com manutenção reativa, sem um plano claro de modernização de sistemas, é um erro estratégico. Pois, essa abordagem negligencia a dívida técnica acumulada, erodindo a capacidade de inovação e, em última instância, o valor de negócio.
O foco excessivo na tarefa de “consertar” em vez do resultado de “otimizar valor” é um sintoma da mentalidade de “fábrica de software”, inimiga da gestão de produtos moderna. Contudo, adotar uma mentalidade de OKRs (Objetivos e Resultados-Chave) força a equipe a olhar além do bug pontual. O objetivo não é apenas resolver um problema, mas entender como essa resolução impacta métricas como ROI, Churn ou LTV.
Dívida Técnica: Um Passivo Estratégico
A dívida técnica, muitas vezes invisível nos balanços financeiros, é um passivo que corrói a agilidade e a sustentabilidade tecnológica de qualquer produto. Na prática da gestão, observamos que o conflito com stakeholders, que demandam novas funcionalidades sem compreender o custo de infraestrutura, é constante. Dizer “não” a um pedido de recurso, priorizando a refatoração de um módulo crítico, exige coragem e um PO Ninja com forte argumentação técnica.
Essa refatoração, por exemplo, pode não gerar um incremento visível ao cliente imediatamente. Contudo, ela reduz o tempo de desenvolvimento futuro, diminui incidentes e libera a equipe para inovar. Em suma, é um investimento que se paga em produtividade e resiliência, impactando diretamente o roadmap de produto de longo prazo.
Modernização: Não é Gasto, é Investimento Estratégico
A modernização de sistemas não deve ser vista como um custo, mas como um investimento estratégico para a longevidade e competitividade do produto. A migração de legado, por exemplo, quando bem planejada, pode destravar eficiências operacionais e novas oportunidades de mercado. A gestão de portfólio de produtos, nesse contexto, exige uma análise criteriosa do ciclo de vida de cada ativo.
Para garantir o fluxo de qualidade, a modernização deve seguir as 5 fases: Iniciação, Planejamento, Execução, Monitoramento/Controle e Encerramento. Cada fase exige transparência e inspeção, pilares do Scrum. A adaptação constante do plano é crucial, pois as variáveis em projetos de migração de legado são inúmeras.
O Roadmap de Produto como Ferramenta de Transformação
O roadmap de produto é o mapa da mina para a transformação digital. Para produtos legados, ele não pode ser uma lista de features, mas uma visão estratégica de como o produto evoluirá para atender novos objetivos de negócio. O PO Ninja, atuando como um estrategista, domina o refinamento técnico para desdobrar essa visão em épicos e histórias, sempre com foco em resultados mensuráveis.
Isso significa que cada iniciativa de modernização deve ter um objetivo claro e Key Results (KRs) bem definidos. Por exemplo: “Reduzir o custo de infraestrutura do módulo X em 30% até o Q4” (KR) ou “Diminuir o tempo de onboarding de novos desenvolvedores no sistema legado em 50%” (KR). Tais KRs guiam a equipe e demonstram o valor da modernização.
Visão Sênior: O Paradoxo da Estabilidade Legada
É uma falácia comum acreditar que um sistema “estável”, por ser legado, é seguro para o negócio. A verdade é que a estabilidade de um sistema obsoleto é, frequentemente, a estabilidade de um pântano: parece firme, mas afunda lentamente. A dependência de tecnologias defasadas e a escassez de profissionais com conhecimento específico representam riscos exponenciais. Em suma, a ausência de incidentes pode significar apenas a ausência de novas interações críticas, não a ausência de problemas latentes, impactando negativamente a sustentabilidade tecnológica.
O Dilema da Alocação de Recursos: Onde o PO Ninja Atua
A alocação de recursos entre manutenção e modernização é um dos maiores desafios. É aqui que a expertise do PO Ninja brilha, pois ele precisa equilibrar as demandas de curto prazo com a visão estratégica de longo prazo. A otimização de custos e a maximização do valor de negócio são objetivos primários.
- Análise de Impacto: Avaliar o custo-benefício de cada decisão. Qual refatoração trará maior ROI?
- Priorização Empírica: Utilizar dados (tempo de inatividade, custo de manutenção, feedback do cliente) para justificar as escolhas.
- Comunicação Transparente: Explicar claramente aos stakeholders por que a migração de legado é mais vantajosa que um “patch” rápido.
- Foco no Resultado: Desafiar a equipe a pensar em como cada entrega contribui para os OKRs do produto, não apenas para a conclusão de uma tarefa.
Em suma, gerir produtos legados exige uma visão estratégica que transcende a simples manutenção. É preciso investir na modernização, combater a dívida técnica e, acima de tudo, focar no valor de negócio entregue. A transformação digital não é um destino, mas um caminho contínuo, pavimentado por decisões inteligentes e um comprometimento inabalável com a excelência.
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